A “Casa do Mar” é uma casa destinada ao acolhimento de 12 adolescentes do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, que recebe em permanência crianças e jovens que necessitam de ser afastadas das suas famílias, vítimas de maus tratos e outras situações de perigo.

Objetivo

Proporcionar a cada jovem a possibilidade de elaborar um projeto de vida pessoal e profissional, respeitando os seus desejos e tendo em conta a realidade e promover assim a sua uma integração social efetiva.

Enquanto lar de acolhimento prolongado, as jovens são ajudadas a progredir no seu percurso escolar/profissional, a cuidar da sua saúde, a conviver com os outros, a cuidar da casa e de si mesmas. Em suma: a ganhar confiança e competências necessárias para a autonomia futura.

É um dia-a-dia cheio de desafios, de altos e baixos, como é próprio do crescimento.

A grande maioria das jovens apresenta como projeto de vida a autonomização. Isso implica, por um lado o aumento do tempo de acolhimento, por outro, que, durante a sua permanência no lar, as jovens consigam adquirir formação profissional e integração no mercado de trabalho de modo a construir um projeto de autonomia sustentável.

Mesmo nos casos em que existe relação de proximidade e laços afectivos com a família biológica, algumas jovens optam por encontrar aqui a possibilidade de prolongar a sua medida de acolhimento e, até aos 21 anos, construírem o seu futuro de forma autónoma.

Desde 2001, data da abertura deste Lar, já passaram pela “Casa do Mar” um total de 40 raparigas, a maioria vítimas de situações de negligência, maus tratos e abandono.

O Lar está instalado numa zona independente do edifício da Fundação. Está estruturado de forma a aproximar-se de uma residência unifamiliar composta por uma sala de convívio, uma cozinha, quatro quartos, lavandaria e gabinetes técnicos.

As Equipas da “Casa do Mar” e da “Casa das Conchas” trabalham em articulação com a Comissão de Proteção de Crianças Jovens, o Tribunal de Família e Menores, a Equipa Crianças Jovens da Segurança Social e os Núcleos Hospitalares de Apoio à Criança e Jovem em Risco.

 

O trabalho no Lar

A equipa do lar é constituída por 6 educadores sociais que garantem o funcionamento da casa, 24h por dia, 365 dias por ano, e por uma equipa de técnicos com formação nas áreas da psicologia e serviço social.

Esta equipa técnico-educativa multidisciplinar orienta as jovens no projeto de vida que com elas é delineado.

Após a entrada no lar é realizada uma avaliação diagnóstica pelo educador e técnico de referência. A partir dessa avaliação é construído, em conjunto com a jovem, um plano socio-educativo individual (PSEI), que orienta a intervenção de toda a equipa em relação a essa jovem (escola, saúde, família, etc.). Esse plano é reavaliado trimestralmente e apresentado em reunião de equipa. Os resultados dessa intervenção são comunicados ao processo de proteção das jovens, que está nos Tribunais ou nas CPCJ, por forma a serem revistas as medidas aplicadas por essas entidades.

O modelo de acolhimento implementado na “Casa do Mar” não implica um corte com a família de origem, é antes uma oportunidade para a criança e a família poderem encontrar novas formas de relação em segurança. Por isso, e sempre que possível, a família é chamada a participar no plano socioeducativo de cada jovem.

Quando a reintegração familiar não é possível, o projeto de vida passa pela aquisição de competências para a autonomia (formação profissional, inicio de atividade laboral, procura de casa, etc).

No dia-a-dia do Lar, o educador de referência é o adulto responsável por acompanhar as jovens no seu processo de crescimento. O percurso das jovens no Lar é realizado etapa a etapa, utilizando-se um modelo faseado de autonomia, adaptado a cada jovem, consoante a aquisição de competências e características individuais de personalidade, onde uma maior responsabilidade corresponde a uma maior autonomia.

As jovens acolhidas na “Casa do Mar” estão integrados na comunidade e frequentam escolas e cursos de formação profissional, de acordo com os respetivos projetos de vida, e participam em atividades de carácter lúdico, desportivo e cultural, que promovem o seu desenvolvimento.

Ao longo do acolhimento privilegia-se a formação profissional como forma de facilitar a integração no mercado de trabalho, que nestes jovens acontece necessariamente mais cedo.